Escambo, trocas, colaborações e afins…

Escambo, trocas, colaborações e afins…

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Um dia recebo um convite para participar de um grupo de escambo, outro dia amigas me pedem para fazer um bazar com suas roupas porque tem demais, outro dia um amigo me conta que alguém queria doar uma camiseta de time porque simplesmente não a queria mais. E meu radar de coisas novas e sistemáticas acontecendo a minha volta apita e começo a conectar as informações. Ops! Mas eu sempre acreditei que se você tem alguma coisa que não usa, melhor é circular a energia e fazer com que aquele produto vá pra outra casa. Mas será que isso agora é uma tendência? Um modismo? Ou será mesmo em definitivo que as pessoas estão mudando o pensamento sobre adquirir suas coisas?

Por uma rápida busca na web descubro um mundo de possibilidades. Eis o universo das trocas em suas diversas vertentes se apresentando para todos. Troca-se roupinha de bebê, troca-se utensílios de casa, troca-se roupas, troca-se sapatos, troca-se máquinas fotográficas, livros, celular, violino, plantas e mudas, serviços. Comunidades grandes com milhares de pessoas participantes existem nas redes sociais aos montes.

Mas minha pergunta que não quer calar: O que mudou?

Trocar coisas é um ato dos mais antigos. Pelo menos no Brasil, a gente tem notícia de que desde que os portugueses vieram nos visitar, havia trocas com os índios por estes desconhecerem as moedas. Na verdade, trocar produtos ou serviços é uma das práticas sustentáveis que se tem estudado como consumo colaborativo, ou seja, evitar o consumo desenfreado e partilhar bens, serviços, espaços, projetos.

Para entender um pouco melhor sobre consumo colaborativo precisamos entender então alguns conceitos que o completam: a redução do consumo (principalmente quando há descarte), a reutilização de produtos (aumentando sua vida útil) e a reciclagem (dando utilidade quando o produto já não serve mais). A partir de se começar a pensar nesses 3 R´s, o paradigma da compra individual começa a se desfazer e a colaboração aparece como uma nova realidade. Se eu preciso de uma furadeira, por exemplo, e sei como cozinhar porque não procurar uma pessoa que queira um almoço especial em troca de seus préstimos com a furadeira?

Hoje podemos inferir uma série de motivos para as trocas virem ganhando força na sociedade do mundo e agora também no Brasil. O primeiro motivo que posso citar é que este tipo de prática surgiu da necessidade. Em situação de crise financeira, como foi o caso dos americanos em 2008, a prática da troca apareceu como uma forma esperta de se livrar dela, com o reuso ou troca de produtos que já tinham. E isso se parece com o que vivemos agora no Brasil.

Outra razão (e esta até estudada por alguns pesquisadores) é que as pessoas se cansaram de empresas oferecendo produtos massificados e serviços pré formatados para todos. Muito melhor é ter coisas que fazem sentido para o ser. Por isso, a sensação de colaborar é bem vinda. Se eu troco, eu fico feliz e o outro também. As trocas nos conectam a outras pessoas, e isso faz mais sentido do que simplesmente comprar um produto. Além disso, a sensação de garimpo é também um motivo que torna a troca menos massificada. Você pode achar algum produto que já não é vendido mais e que já teve seu auge mas que para você continua tendo importância.

E por fim, outra razão pela qual as trocas e compartilhamentos se expandiram pelo mundo é a comunicação. Como vivemos hoje uma sociedade em rede, conectada pela tecnologia, fica infinitamente mais fácil difundir a prática por esta via. A internet facilita a vida de quem quer trocar o que quer que seja. Vários grupos e sites on line promovem o encontro de pessoas para troca de produtos ou serviços. Inclusive a troca entre empresas também vem ganhando espaço nas transações comerciais e fazendo subir a circulação de valores.

Aaaahhh então não é modinha! Ufa… Ainda bem que tem mais pessoas pensando como eu! Dá pra fazer muitas trocas por aí, fazer muita gente mais participante e de quebra ainda praticar a colaboração. Quem aí quer vir comigo?

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