O Slow Travel e as viagens da sua vida

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Pra grande maioria das pessoas, tirar férias significa descansar e muitas vezes viajar. Mas porque será então que as pessoas fazem programas de viagem onde o que elas mais fazem é acordar cedo (as vezes muito mais cedo que em sua rotina normal) e cumprir uma extensa e exaustiva programação de visitas rápidas a muitos pontos turísticos, voltando para o hotel já na hora de dormir? E no dia seguinte mais uma lista de muitos afazeres obrigatórios para o turista.

Pára tudo! Não era pra descansar? Não era pra viajar?

Mapa com 55 atrações para ver em Paris em 2 dias (oi?)!

A palavra viajar tem muitos sentidos e o mais comum deles é visitar algum lugar. Mas em sentidos menos literais (com o perdão do trocadilho) e que fazem mais sentido, viajar pode também significar devanear, sonhar, delirar. Pois são justamente nestes significados que estão a base do Slow Travel.

O movimento, inspirado em escritores de viagens europeus do século XIX (como o poeta Théophile Gautier que conheceu diversos países e relatou suas experiências em algumas de suas obras), propõe a desacelaração e a permissão aos viajantes de se deleitaram com o que vão conhecendo. Para quem é fã do Slow travel, viajar é descobrir lugares diferentes, pessoas desconhecidas, hábitos não entendidos e muitas vezes pode até ser errar (e quebrar a cara) ou se perder. É aprender coisas novas com a população local, é se envolver com o local da viagem e em versões mais radicais abandonar o avião, se alimentar apenas de produtos orgânicos locais, ser voluntário para a comunidade ajudando-a em diversos afazeres em troca de estadia e comida (o chamado de “Volunturismo”).

Mas você não precisa ser ativista político para tornar sua viagem mais interessante e prazerosa. Muitas vezes o simples devaneio e delírio com um lugar que você descobriu sozinho é muito mais interessante do que ficar na fila de um quarteirão inteiro só pra ver a atração que todo mundo vê.

Ainda não conseguiu ver sentido em tudo isso? Bem, para muitos não é mesmo fácil. Abandonar o velho hábito e aquilo a que está acostumado pode ser uma barreira pra muita gente. Afinal, todo mundo viaja assim, não é? Qual é o problema de enfrentar uma fila de muitas horas para subir na torre Eiffel? Você vai perder? Eu não enfrentei. E fiquei horas deitada na grama do parque em frente me deliciando com as inúmeras pessoas e histórias que ouvi ali. Viajei em Paris. Foi sensacional.

Paris 1
A esquerda a fila para subir na Torre Eiffel e a direita o gramado a frente onde todos descansam!

 

O Slow Travel é isso. Não ter rotina, não ter certezas, nem regularidade. Decorrente do Slow Food Movement, pressupõe a calma em viagens muito mais interativas. Não fazer viagens corridas com pouco tempo em cada lugar vai permitir que você descubra por exemplo um café favorito, que troque ideias com vizinhos locais, que você realmente não tenha stress com a viagem. Para isso, seis dicas que podem ser super úteis para essa mudança de paradigma.

Dica 1 – Comece analisando onde vai ficar. Atualmente existem muitos tipos de acomodações diferentes de hotéis. Você pode, por exemplo, alugar um pequeno apartamento e se instalar como um habitante do local. Você terá com certeza mais tempo para “viver” o local onde estará hospedado, além é claro de ainda ter uma economia nos custos de viagem. Geralmente alugar é mais barato. Existem hoje sites de aluguel de espaços que tem ganhado notoriedade (como o Airbnb por exemplo). E você ainda tem a possibilidade de ficar na própria casa de uma pessoa do destino (que te cede um espaço em casa), como um amigo que te hospeda e te indica como visitar a sua cidade (o site Couchsurfing funciona assim).

Dica 2 – E já que está em uma casa e não em um hotel, que tal acordar ir a padaria próxima, caminhar pelo bairro, descobrir onde tem um mercadinho e fazer lá suas compras para preparar um almoço com produtos locais? O bolso e o coração agradecem. Garanto que vai ser especial.

Couve flor em Oxford
Como eu poderia saber que existe Couve Flor roxa se eu não tivesse ido ao mercado local em Oxford (Inglaterra)?
Gooberries
Ou uvas (ou algo assim) listradas?

 

Dica 3 – Uma outra dica é tentar entender como os locais vivem e como se comunicam. Compre um jornal local, assista a TV local. Já reparou que quando vamos para um local desconhecido, se ligamos a TV é pra ver algo que já estamos acostumados a ver. E porque não ver ou ler algo que você nunca viu ou leu? Mesmo que você não entenda muito bem a língua, poderá descobrir coisas interessantes, como um bom restaurante que não está nos guias, frequentando por locais e que pode ser muito bom.

Slow Travel
Eu espero que os dias venham facilmente e os momentos passem devagar e cada caminho te leve aonde você quer ir.

Dica 4 – Não se preocupe muito com as locais turísticos. Não faça sacrifícios para ir a um lugar só porque todo mundo vai. Descubra aqueles que realmente são importantes pra você e não se prenda a rotinas estressantes de programações com 125 atrações no mesmo dia. E se todo mundo perguntar porque não fui responda porque simplesmente que estava em outros lugares, vivendo outras experiências.

Dica 5 – Aliás, essa é também a nossa dica seguinte. Não queira ver tudo o que uma cidade pode oferecer em pouco tempo, só pra ter que ver várias cidades. Também no Slow Travel, qualidade é infinitamente melhor que quantidade. As emoções vividas intensamente em cada passeio não têm pressa.

Dica 6 – E por fim, experimente não usar o guia de viagens por um dia. Descubra por você mesmo lugares, pessoas, comidas e emoções que vão te fazer se sentir viajando de verdade.

Bon Voyage!

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