O luxo e o lixo das cápsulas de café

O luxo e o lixo das cápsulas de café

Símbolo de status e praticidade em  empresas e residências,  as máquinas de café monodoses geram números que impressionam. Nos últimos cinco anos as vendas cresceram 185% e 3,5 milhões de unidades foram importadas, segundo dados do site Valor Econômico, movimentando R$ 1,4 bilhão em 2015 no país.

Seduzidos pelo charme das marcas, poucos param para pensar aonde vai parar tanta cápsula! Imaginem que 7.000 toneladas do café em embalagens individuais foram vendidas no ano passado no Brasil, segundo a consultoria Euromonitor.

As embalagens, feitas de alumínio e material plástico, correspondem por aqui a 2% das vendas totais de café, nos Estados Unidos, 17% e em alguns países europeus chega a representar 30%. São números vultosos impactando significativamente o meio ambiente.

Diariamente um número assustador de cápsulas descartáveis vão parar em aterros sanitários ou lixões, garantindo não só uma extração de papel, plástico e alumínio insana para produção e embalagem, como também emissão de CO2 e gás metano durante o apodrecimento das cápsulas a céu aberto.

Bons exemplos acabam de chegar da cidade de Hamburgo, a segunda maior da Alemanha. As repartições públicas estão proibidas de comprar cápsulas de café.  A medida, introduzida em janeiro, faz parte de um grande esforço da gestão pública para reduzir a quantidade de resíduos sólidos lançados ao meio ambiente.

Em entrevista À BBC, o porta-voz do Departamento de Meio Ambiente e Energia de Hamburgo, Jan Dube, afirmou que as cápsulas não são facilmente recicláveis por serem “geralmente feitas de uma mistura de plástico e alumínio” e afirmou:

“Nós aqui em Hamburgo pensamos que essas cápsulas com 6 gramas de café em um pacote de 3 gramas não devem ser compradas com o dinheiro do contribuinte”.

Já no Brasil, seguimos um caminho de pouca consciência. Além do favorecimento a importação das máquinas neste último ano, pois o governo zerou o imposto de importação para cápsulas e máquinas entre abril e dezembro de 2015, não há nenhum acompanhamento  do processo de coleta e reciclagem desses materiais. Os principais fabricantes como Nespresso, Dolce Gusto, 3 Corações e Kaffa também não fornecem números oficiais sobre o assunto.

A Abal, entidade do setor de alumínio, e a Plastivida, que representa a cadeia do plástico, dizem que entre seus associados não há quem desmembre cápsulas inteiras.

Infelizmente os números mostram o quanto é difícil resistir a tanto glamour e sofisticação. A indústria do café ainda vai investir muito em xícaras, taças, misturadores e outros objetos de lifestyle para ganhar cada vez mais espaço.

Resta ao consumidor, a consciência. Consciência não só ambiental, mas também financeira, já que o quilo do café em cápsulas custa dez vezes mais, em média, que o quilo do café em pacote.  Em tempos de escassez de recursos naturais e crise econômica, faz muito bem repensar!

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