Cidades e mobilidade aqui e acolá

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Morar na Europa oferece uma experiência urbana muito diferente da que estávamos acostumados no Brasil.

Em primeiro lugar as cidades são menores e a quantidade de pessoas e de tudo que elas trazem, também (Londres, com algo em torno de 8 milhões de habitantes apresenta a maior população mas Berlim e Madrid, que vêm logo atrás, estão na ordem de 3 milhões “apenas”).

Mas o que chama mais atenção e que contrasta mais fortemente com as cidades brasileiras é que nas europeias o pedestre não é tratado como um problema, algo que apenas está ali para atrapalhar os motoristas, sempre com pressa.

Em todas as cidades que conheci há grandes limitações ao trânsito de veículos, seja pelo estreitamento de trechos de ruas, pela construção de praças ou mesmo pela proibição pura e simples de circulação em grandes áreas. Sem contar a baixa velocidade permitida. Em Paris, por exemplo, os ônibus são obrigados a manter um máximo de 30 kms por hora, o que permite a convivência com as bicicletas ! Na Europa, aliás, andar de bicicleta, como de metrô ou de trem, é tão legítimo quanto andar de carro e não uma opção de pobres.

As praças e jardins, aliás, não contribuem apenas para diminuir o espaço livre para os automóveis mas atenuam o calor, ajudam a diminuir o ruído urbano, criam possibilidades de laser e descanso e, de quebra, embelezam a cidade.

Para aqueles que, como eu, gostam de conhecer a cidade caminhando, fica muito claro que há uma grande preocupação em garantir que o espaço urbano possa ser utilizado por todos e não apenas pelos habitantes que se locomovem em seus veículos motorizados.

Por Adair Carvalhais

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Em tempo, notícias sobre mobilidade que nos trazem felicidade em saber que o pensamento sobre o assunto é preocupação inclusive de governantes.

Do vadebike:

A prefeita de Paris (França), Anne Hidalgo, estabeleceu que até 2020 o centro da cidade estará livre de carros. A proposta é transformar os quatro distritos centrais em uma grande área onde pedestres, ciclistas, táxis e ônibus terão liberdade de circulação.

Os únicos veículos que terão permissão para circular na região serão os de moradores e de entregas (com horário restrito para circular). O projeto vai começar a restrição aos fins de semana e será aumentado gradualmente até se tornar permanente.

A medida é uma estratégia para diminuir a poluição na cidade, que frequentemente tem atingido níveis intoleráveis para a saúde humana. A constante poluição tem feito com que autoridades tenham que banir a circulação de veículos em determinados dias (a título de comparação, em São Paulo a mídia pede que as pessoas não saiam a pé ou se exercitem em dias de intensa poluição, incentivando ainda mais o uso de carros).

Em março/2015 Paris alcançou picos de emissão de poluentes. Para incentivar as pessoas a não usarem seus carros, a prefeitura ofereceu transporte público, bicicletas e compartilhamento de carros elétricos de maneira gratuita para toda a cidade por um final de semana inteiro. Além disso, após 20 anos a cidade voltou a ter rodízio de veículos por placa.

Hidalgo anunciou também um ambicioso plano de investir €$ 100 milhões para duplicar a quilometragem de ciclovias até 2020. A cidade também vai incentivar o aumento do uso de bicicletas e carros elétricos compartilhados.

As bikes seguirão o modelo de sucesso do Vélib, sistema de compartilhamento referência no mundo, com 10 mil unidades espalhadas em 1800 estações em Paris e mais 30 cidades na região metropolitana. Já o Autolib é um sistema de compartilhamento de veículos elétricos que começou em 2011 e tem se expandido pela cidade. Atualmente, 60% dos moradores de Paris não possuem carros.

O assunto ainda será discutido em um conselho municipal antes da decisão final.

Na Espanha, a Câmara de Madri proibiu a circulação de veículos no centro da cidade a partir de janeiro de 2015. A medida visa reduzir o nível de poluição da cidade, melhorar a locomoção e segurança de pedestres e ciclistas e diminuir acidentes de trânsito.

A restrição vai valer em uma área de 352 hectares e integra o Plano de Mobilidade de Madri, que pretende diminuir o uso do carro na cidade até 2020. A fiscalização será feita por 22 câmeras de segurança. Quem for pego descumprindo a norma receberá multa de €$ 90 .

Outra estratégia é o crescimento do BiciMad, sistema público de aluguel de bicicletas elétricas, o uso de transporte público e mais caminhadas. Por fim, o limite de velocidade nas vias da área central da cidade foi reduzido para 21 km/h e o valor pago para estacionar nas ruas sofrerá aumento.

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E no Brasil…..

Grupos ligados aos ciclistas pedem ao governo federal a inclusão de medidas que privilegiem a construção de ciclovias, a fim de oferecer maior segurança e conforto. A proposta se chama “PAC Mobilidade Ativa”. O nome deriva da terminologia usada para definir a prática de pedalar, caminhar e outras formas de deslocamento que dispensam o uso de um motor, os chamados “modos não motorizados”.

A reivindicação é liderada pela UCB – União de Ciclistas do Brasil, com o apoio de outras entidades do setor, além de coletivos que lutam por melhores condições de mobilidade aos pedestres. A proposta foi elaborada sob a forma de minuta de Portaria, e contém as normas, diretrizes gerais e justificativa. Se for aprovada, permitirá a implantação de estruturas ao ciclistas e pedestres por meio de recursos federais ou financiamentos.

Lançado em 2007, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é um projeto do governo federal que contempla políticas econômicas, geralmente planejadas para os quatro anos seguintes, que têm como objetivo acelerar o crescimento econômico. Atualmente, o governo trabalha na segunda edição do programa. E uma das vertentes do PAC é a área de mobilidade urbana.

 

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