Em busca do tempo perdido

Em busca do tempo perdido

posted in: Histórias | 0

Por Adriana Gandeman

No passado, nossos pais e avós tinham tempo de trabalhar, realizar tarefas do dia-a-dia, domésticas ou não, além de cuidar da relação com amigos, vizinhos e familiares. Hoje em dia, cada vez mais, as pessoas reclamam da rapidez com que o tempo tem passado, de como cada ano parece que voa, da falta de tempo para encontrar os amigos e ver a família.
No entanto, nas últimas décadas, foram criadas diversas invencionices de complexidades variadas, para supostamente facilitar nossas vidas e economizar nosso tempo.
Mas com todo esse tempo que estamos economizando, o que aconteceu com o tempo em que deveríamos estar curtindo a vida, descansando e colocando a agenda social e familiar em dia? Onde foi parar o nosso tempo?
Foi lendo um despretensioso mas divertido livro de crônicas, chamado: “Onde foi parar o nosso tempo?”, do jornalista Alberto Villas, que parei pra pensar em todos os minutos que “perdíamos” em micro tarefas no passado, mas que na verdade nunca foram recuperados.
Onde foi parar o tempo que gastávamos desempelotando o Toddy? Aquelas bolotas teimavam em boiar no leite, mas hoje a tecnologia do achocolatado foi aperfeiçoada, pois ele dissolve mais rapidamente.
Onde foi parar o tempo que se gastava furando a lata do azeite com um preguinho bem devagar pra não fazer um furo grande e desperdiçar o conteúdo? Afinal, antigamente não existiam essas embalagens modernas com bicos econômicos.

Tempo
Onde foi parar o tempo que se gastava dando corda no relógio? Enfiando linha na agulha pra mãe costurar? Esperando a água do boiler aquecer? Esperando o telefone dar sinal? Colocando o filme na máquina fotográfica? Esperando a foto revelar? A carta chegar? Mandando telegrama pra mensagem chegar mais “rápido”? Esperando o leite ferver? Catando feijão? Degelando a geladeira? Rebobinando fita de VHS? Vendo o álbum de fotos da viagem na casa do amigo? Escrevendo trabalho escolar à caneta na folha de papel almaço? Fazendo pesquisa na enciclopédia?
Todos esses minutos economizados com o advento do computador, da Internet, dos smartphones, dos aquecedores automáticos, das máquinas digitais, das geladeiras frost free, dos DVDs e que tais, se perderam. Em compensação, nós criamos novas “necessidades”, como e-mails pessoais e profissionais que precisam ser lidos e respondidos urgentemente, e toda uma vida social online que precisa ser cultivada de forma virtual e atualizada a todo instante. Ligação para desejar feliz aniversário hoje em dia é prova de enorme consideração. Só para os mais íntimos. Afinal, ninguém mais tem tempo pra isso.
Tempo, aliás, é um bem muito escasso e precioso hoje em dia. É preciso refletir como estamos gastando nossos valiosos minutos ao longo do dia, dedicando a quem e a que atividades. O poeta Manoel de Barros disse: “Andando devagar eu atraso o fim do dia”. Contrariando o senso comum, que acredita que quanto mais tarefas realizarmos em um menor espaço de tempo, mais atividades conseguiremos realizar, talvez essa seja uma solução possível e uma reflexão desejável para 2016: desacelerar…

Fonte: Obvius

Comentários

Comentarário(s)