Tempo de Brincadeira de Criança

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Um dia, uma foto de uma criança de 10 anos morta pela polícia porque estava “roubando”, no outro alguém conta que quando perguntaram para a sobrinha porque ela queria um Iphone, ouviram a resposta: “Pra ter ué”.  E aí você pensa nas crianças de 30, 40 anos atrás e suas poucas preocupações como brincar com a revista de bonecas de papel ou pular elástico.

Tá certo. Estamos em um novo tempo. Tudo mudou e as crianças de hoje não são como as de antigamente. Mas será que realmente precisamos inserir as crianças na loucura diária do século XXI?

A resposta é simples e direta. Não. E quem responde entende do assunto. Carl Honoré é um autor e pesquisador canadense que trata do contexto slow já há alguns anos, e com dois livros publicados pode falar como bom conhecedor. A partir de sua própria experiência como pai, entende que quando há muitas atividades para os filhos, com expectativas que eles se tornem experts em diversos assuntos desde cedo, o que no início vem de uma boa intenção, no final se transforma em uma educação opressora. As crianças passam a não ter tempo de ser crianças.  E isso aliado a um momento da sociedade em que o acúmulo de informações e a construção de desejos induzidos pelo consumo exagerado desenvolve crianças com  necessidades falsas causadoras de ansiedade e estresse.

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Por isso, o “slow parenting”, nome dado a essa filosofia de criar as crianças no mood slow, é o oposto de tudo isso. Por ele acredita-se que as crianças devem ter tempo livre para brincar, serem crianças e para terem contato com a natureza, formas fundamentais de preservar a saúde mental e física delas. Crianças que não brincam vão pular etapas em suas vidas (se tornando adultos com responsabilidades antes da hora) e não vão apreender questões essenciais nesta etapa como a criatividade, a sensibilidade, e a inventividade. Quando se brinca (ou quando se tem tempo livre enquanto criança) se lida com diversas questões que formam um ser humano mais completo como o poder de negociação, a criação de soluções, o sentido de vencer e perder, o aprender a ceder e abrir mão de sua vez para o outro, ver algo dar certo ou dar errado e a lidar com isso.

Assim, diversas iniciativas vêm propondo também no Brasil formas de levar essa filosofia para os pais que acreditam que não precisam empenhar tantas atividades para seus filhos para formar cidadãos melhores. Uma delas é o movimento Slowkids, organização paulista que promove encontros esporádicos para pais e filhos, geralmente em ambientes abertos como parques para promover o contato com a natureza, com diversas atividades lúdicas e simples, mas que tem objetivo de resgatar e valorizar o tempo livre na infância, tirando a criança da rotina de muitas atividades além da escola.

Outro exemplo de iniciativa é dado pela empresa Cheers Kids que promove festas de aniversário com o brilho de antigamente. Primam pelo resgate de uma infância real se preocupando desde a decoração com um toque retrô em materiais, cores e estampas até a alimentação mais saudável e de qualidade, passando pelas brincadeiras antigas promovidas  como a ciranda, amarelinha, entre outras.

E por fim, se você quer saber como isso tudo funciona na prática, o slow parenting leva em consideração algumas questões que são essenciais para essa filosofia funcionar. Conheça aqui os seus 10 princípios:

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1- Uso de tecnologia: Desligar todo tipo de tecnologia por pelo menos 1 hora por dia (mais é melhor)

2- Pais e amigos: Ser os pais – deixar de tentar ser os amigos do seu filho

3- O tempo e os filhos: Cultivar a habilidade de observar seus filhos, e outras crianças, e ser atento nessas observações. Perceber as diferenças das várias idades.

4- Pais educadores: Casas são as primeiras escolas, pais os primeiros professores. Entenda os valores e a importância do seu papel.

5- Atividades da criança: O trabalho de uma criança é brincar

6-  Independência: Você deu a vida, mas você não é a vida do seu filho

7- Limites: Ok dizer não. Estabeleça limites

8- Tempo Ocioso: Menos é mais – criatividade muitas vezes nasce do tédio

9- Convivência: Entenda, respeite e honre sua comunidade – dentro e fora de casa

10-Descanso: Aprenda a cultivar espaços silenciosos durante o dia e ter tempo pra esvaziar a mente.

 

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