Bouquet Garni

Bouquet Garni

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Por Fernanda Rennó

Eu poderia dizer que comecei porque precisava de suculentas e ingênuas folhas de alface para o sanduíche que meu pai prepara juntando azeite e sal…

Ou ainda porque quando casei escolhi um brócolis como bouquet (mas acabei casando com girassóis)..

A justificativa consciente de que quero dar alimentos saudáveis para minhas filhas..

Poderia falar da importância dos orgânicos que hoje estão na moda, viraram sinal de status mais que nutrientes sinceros..

Mas a verdade é que comecei a plantar minha horta esse ano porque senti uma necessidade enorme de foco.

Um primo meu até tentou me ensinar a meditar, e venho tentando, mas a respiração, as batidas do relógio, um copo d’água em cima da mesa, ainda são guias de alto grau de dificuldade para me raptar da realidade e me fazer concentrar neles por mais de 45 segundos..

Comecei por egoísmo. Um egoísmo de ter alguns minutos do dia somente pra mim. Em dias onde as 24h parecem 67h, onde a noite tenho duas filhas que de dia parecem 17, eu precisava de algo que me ajudasse a focar, que me abduzisse, que me equilibrasse..

A terra conseguiu.

Afofar, regar, plantar, encontrar minhocas frenéticas me coloca em um bolha, uma bolha que me faz bem onde, além de equilíbrio, consigo todas as coisas acima..

Começo 2016 então, com uma pequena horta com ervas prontas para se transformarem em bouquet garni, criei um local onde o tempo para mim não existe.

 

Fernanda Rennó, 35 anos, profissão atual: mãe! Se formou em turismo, é doutora em geografia e meio ambiente. Trabalha como consultora socioambiental.

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