Os segredos dentro do seu armário

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Quem nunca se deparou com um armário cheio de roupas e ainda assim teve muitas dúvidas no que vestir? Ou ainda quem nunca esqueceu que tinha alguma peça super legal simplesmente porque ela estava escondida por detrás de inúmeras outras compradas sem muito se saber porque? Acho que essa é a realidade de um montão de gente. Mas para tudo e vamos pensar direito. Será mesmo que usaremos tudo o que está no armário? Provavelmente não. Compramos demais e usamos de menos. Gastamos muito tempo simplesmente por não conseguir decidir algo que poderia ser muito mais simples. Já reparou que muitas vezes repetimos muito as peças que mais amamos?

Pois a ideia de ter um armário cápsula vem justamente de conseguir otimizar o uso do que temos e a partir disso um montão de vantagens aparecem. Mas ela não é uma ideia nova. Lá nos idos dos anos 1970 uma estilista inglesa, Susie Faux, pensou que sua loja poderia se tornar a diferentona do mercado se oferecesse uma forma de seus clientes terem peças básicas que pudessem ser intercambiadas com outras e entre si e a partir daí, elas estariam sempre na moda. Criou então a primeira coleção cápsula a que se tem notícia. Anos mais tarde, em 1985, outra estilista desta vez americana, Dona Karan, popularizou a ideia lançando uma também coleção cápsula chamada “7 Easy Pieces” para a mulher que trabalha e que precisa ser prática ao vestir. A partir daí, com a evolução da moda, do consumo e da informação, na era das blogueiras, uma americana, Caroline Rector querendo simplificar a vida e amplificar (no sentido de dar vazão) ao seu estilo minimalista, pensou em compactar o guarda roupa e se limitar a viver uma estação com apenas 30 peças.

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Ora, e porque só agora nos interessamos de verdade por armários cápsulas?

Porque cansamos do consumo sem sentido. Porque cansamos do desperdício de roupas que não usamos, porque cansamos de comprar roupas com a desculpa de comprar felicidade. Eita! Realmente não é mesmo assim que devemos viver com a moda. Montar um armário cápsula, quer dizer saber viver com menos e isso sugere economia financeira, de tempo, além de priorizar produtos de mais qualidade e que durem um pouco mais. Não precisamos desperdiçar tanto dinheiro em peças que em uma lavada vão dar adeus a moda. Além destas vantagens, ainda podemos pensar que a criatividade é um ganho sem precedentes uma vez que você precisa se reinventar diariamente, numa descoberta constante de si mesma e com melhora da sua autoestima porque você acaba só usando mesmo aquilo que gosta. E pra viajar então? Uma mão na roda! Nunca mais vamos ter que perder um tempão pensando no que colocar na mala. Melhor aproveitar o tempo na viagem!

Pensando além do nosso próprio armário, lembramos que a mudança do pensar, priorizando a qualidade e menos a quantidade, implica em várias outras ações que por si só já garantem um novo olhar sobre a moda. Por exemplo, ao comprar uma nova roupa, se há a preocupação com a qualidade, porque também não pensar em quem fabrica e priorizar pequenos empresários? Porque ao precisar comprar algo novo, porque não procurar em brechós? Se a peça de roupa realmente não te interessa ou não vai ser usada, porque não trocar com alguém ou mesmo doar? Fica a pergunta que não quer calar, e qualquer dia ajudo vocês a responder contando minha experiência com esse tipo de ação. Mas vamos lá ao que interessa que já estou louquinha pra jogar todas as roupas do meu armário abaixo e fazer um montão de descobrimentos.

Mas como começar?

Em formato de dicas, posso enumerar aqui algumas instruções e como não acredito em receitas de bolo para uma mudança desta natureza, sugiro você ir testando o que funciona ou não com você e a partir daí criar sua própria história com o guarda roupa e o seu conteúdo. Erros fazem parte do processo, não existe um armário ideal. Existe “o seu armário ideal” e você só vai descobri-lo tentando.

Um exemplo de um armário cápsula com poucas peças

1 – Em primeiro lugar, não quero estabelecer um número ideal de peças para serem usadas. Muitas blogueiras falam de 30 a 40 peças (algo em torno de 15 blusas, 9 bottons – saias e calças e shorts se for o caso –  9 pares de sapato, 2 vestidos, 2 casacos) e que isso dá pra viver uma estação inteira feliz. É um parâmetro, mas não é uma regra fixa.

2 – Você não precisa trocar o armário inteiro a cada estação. Senão a ideia de economia não faz o menor sentido. Várias peças vão durar muito mais que uma estação, você só vai trocar aquelas que cansarem ou que estiverem velhas, ou as que não forem mesmo ser usadas naquela estação e nem nas próximas. Aí você pode doar, trocar ou vender, a escolha é sua.

3 – Alguns itens não entram nessa contagem como roupas de noite (vestidos de casamento ou formatura por exemplo), roupas de dormir, roupas de malhar, acessórios com valor sentimental, lingerie, roupas para ficar em casa (loungewear).

4- Á prática: comece fazendo uma autoanálise sobre você e o que gosta de vestir e em que situações veste. Tire tudo do armário e separe grupos de peças de acordo com suas atividades: para o trabalho, para sair e se divertir durante o dia, para badalar a noite, etc. Uma boa dica é fazer um gráfico de quanto tempo realmente você gasta da sua semana com essas atividades. Porque idealmente gostaríamos de ter um monte de roupa para sair e badalar a noite, mas fazemos isso uma ou duas vezes por semana, por exemplo, e trabalhamos todos os dias. Então temos que ter mais combinações para o trabalho, concorda?

5- Dentro destes grupos separe aquelas peças de que realmente gosta mas usa pouco, aquelas que te fazem sentir bem consigo mesma, aquelas que servem, aquelas que usa muito mas também gosta. As demais coloque na montanha da doação ou troca. (Aposto que vai ser montanha mesmo!) Ou guarde algumas para um próximo armário cápsula (como as de outra estação por exemplo).

6- Depois faça um exercício de pensar no seu estilo e liste palavras associadas a moda que você conhece. Circule as que combinam com você e risque tudo aquilo que você não gosta. Você está perto de descobrir qual é o seu estilo fundamental e isso vai te ajudar na compra de peças futuras ou na montagem dos looks mais usados.

7 – Escolha suas cores favoritas e nas combinações dos grupos que está montando. Pense também nos acessórios que tem e o que faz sentido para a temporada. A harmonia começa também por aí.

8 – Agora comece a fazer a produções e ver se você tem uma quantidade razoável de blusas, calças, vestidos, saias e casacos que possam se intercambiar. Normalmente se você troca de blusa durante 5 dias, usando a mesma calça ou saia, você terá vários looks com apenas poucas peças. Então hora de usar a criatividade.

9- Por fim, conte as peças e veja se tem peças demais ou de menos. Oito a doze peças podem fazer até 30 combinações diferentes se forem bem escolhidas. Então nesta hora, a quantidade de peças totais conta muito. O desafio é justamente ter pouco e ser mais. Neste momento, menos bem combinado é muito mais.

E por fim, faltou alguma coisinha? Não que a gente vá ser o carrasco das compras. Mas muito melhor pra todos se elas forem bem planejadas, conscientes, levando em consideração o comércio justo e se forem bem aplicadas, não é mesmo?

Tentou e não deu certo? Tentou e deu certo? Conta pra gente o que achou e como está o seu armário hoje! Aposto que ele não terá mais segredos.

 

 

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